Em resposta à Jojo, do blog Os Devaneios da Jojo (obrigado por me nomeares!), ficam aqui os dez livros que mais me marcaram até o momento, sem qualquer ordem específica:
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Não editado em Portugal.
Opinião:
O título deste segundo volume da trilogia Chaos Walking, iniciada com The Knife of Never Letting Go, assenta de maneira perfeita ao seu conteúdo: não só está relacionado de forma literal com o argumento, como é uma metáfora para os sentimentos que trespassam as suas personagens e os seus leitores. Este é um livro que assenta fundamentalmente na dúvida, na capacidade de saber distinguir o que é verdade do que é falso por trás das aparências.
Ao contrário do primeiro volume, esta sequela tem menos acção no sentido em que não é tanto uma road trip, sendo, no entanto, mais interessante uma vez que a história passa a ser narrada sob o ponto de vista de duas personagens em situações distintas, situações essas que contribuem notoriamente para o seu crescimento. Todd está, aliás, longe de ser perfeito: como acontece a qualquer ser humano, nem sempre toma as decisões mais acertadas e chega a ser um tanto influenciável. A própria escrita dos POVs difere consoante a caracterização das respectivas personagens.
Todavia, não é só no nosso protagonista que isto se verifica: a evolução de outras personagens secundárias consegue verdadeiramente surpreender o leitor. Acreditem quando digo que conseguirão sentir uma certa empatia por uma dada personagem que ao início poderia parecer impossível...
À semelhança do anterior, o segundo volume termina novamente em cliffhanger e, desta vez, as suas dimensões são mais amplas.
Concluindo, gostei de The Knife of Never Letting Go, mas The Ask and the Answer foi ainda melhor! Mal posso esperar por pegar em Monsters of Men, o volume que conclui esta trilogia... Uma coisa é certa: o potencial de vir a tornar-se uma das minhas favoritas aumenta a olhos vistos. Se gostam de distopias e ainda não começaram a lê-la, do que é que estão à espera?
Classificação: 5/5
Ao contrário do primeiro volume, esta sequela tem menos acção no sentido em que não é tanto uma road trip, sendo, no entanto, mais interessante uma vez que a história passa a ser narrada sob o ponto de vista de duas personagens em situações distintas, situações essas que contribuem notoriamente para o seu crescimento. Todd está, aliás, longe de ser perfeito: como acontece a qualquer ser humano, nem sempre toma as decisões mais acertadas e chega a ser um tanto influenciável. A própria escrita dos POVs difere consoante a caracterização das respectivas personagens.
Todavia, não é só no nosso protagonista que isto se verifica: a evolução de outras personagens secundárias consegue verdadeiramente surpreender o leitor. Acreditem quando digo que conseguirão sentir uma certa empatia por uma dada personagem que ao início poderia parecer impossível...
À semelhança do anterior, o segundo volume termina novamente em cliffhanger e, desta vez, as suas dimensões são mais amplas.
Concluindo, gostei de The Knife of Never Letting Go, mas The Ask and the Answer foi ainda melhor! Mal posso esperar por pegar em Monsters of Men, o volume que conclui esta trilogia... Uma coisa é certa: o potencial de vir a tornar-se uma das minhas favoritas aumenta a olhos vistos. Se gostam de distopias e ainda não começaram a lê-la, do que é que estão à espera?
Classificação: 5/5
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Título original: The Mist of Avalon
Sinopse do 1ºvolume, A Senhora da Magia:
O clássico As Brumas de Avalon regressa ao mercado português para dar a conhecer a uma nova geração esta história mágica e intemporal centrada nas mulheres que, por detrás do trono de Camelot, foram as verdadeiras detentoras do poder.
Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas. Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera…
Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas. Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera…
Opinião:
Publicada em 1983 e relançada há um par de anos pela Saída de Emergência, As Brumas de Avalon, dividida em quatro volumes, é considerada por muitos uma das séries de renome no género da literatura arturiana e da fantasia.
Ao longo de várias gerações assistimos ao desenvolvimento de uma batalha entre religiões na Bretanha, numa intriga em que a fé na Deusa tenta sobreviver aos avanços da fé cristã recorrendo a um leque interessante de personagens que se vão relacionando entre si de formas mais ou menos complexas, com paixões, traições e lealdades postas à prova.
Muito bem escrita, a história é contada principalmente segundo as perspectivas de Morgaine e Gwenhwyfar, ambas com personalidades em simultâneo semelhantes e diferentes: se por um lado as motivações divergem em sentidos opostos (uma sendo devota a Cristo e outra à Deusa), por outro ambas acabam por ser expostas a situações que exigem sacrifícios e decisões difíceis que nem sempre serão as mais acertadas do ponto de vista moral. A moralidade é, aliás, algo que está subjacente ao longo dos livros: olhará alguém aos meios para atingir os fins em que acreditam piamente?
Não considero, no entanto, que sejam livros excepcionais, sem falhas, aos quais seja impossível não atribuir a pontuação máxima: não foi até o terceiro volume que me conseguiu cativar totalmente e, mesmo assim, o desfecho da história, apesar de satisfatório do ponto de vista argumental, pareceu-me demasiado apressado em relação ao ritmo da restante narrativa.
Dito isto, não posso afirmar que a tetralogia dAs Brumas de Avalon superou as minhas expectativas: apenas que valeu a pena ser lida.
Classificação: 4/5
Ao longo de várias gerações assistimos ao desenvolvimento de uma batalha entre religiões na Bretanha, numa intriga em que a fé na Deusa tenta sobreviver aos avanços da fé cristã recorrendo a um leque interessante de personagens que se vão relacionando entre si de formas mais ou menos complexas, com paixões, traições e lealdades postas à prova.
Muito bem escrita, a história é contada principalmente segundo as perspectivas de Morgaine e Gwenhwyfar, ambas com personalidades em simultâneo semelhantes e diferentes: se por um lado as motivações divergem em sentidos opostos (uma sendo devota a Cristo e outra à Deusa), por outro ambas acabam por ser expostas a situações que exigem sacrifícios e decisões difíceis que nem sempre serão as mais acertadas do ponto de vista moral. A moralidade é, aliás, algo que está subjacente ao longo dos livros: olhará alguém aos meios para atingir os fins em que acreditam piamente?
Não considero, no entanto, que sejam livros excepcionais, sem falhas, aos quais seja impossível não atribuir a pontuação máxima: não foi até o terceiro volume que me conseguiu cativar totalmente e, mesmo assim, o desfecho da história, apesar de satisfatório do ponto de vista argumental, pareceu-me demasiado apressado em relação ao ritmo da restante narrativa.
Dito isto, não posso afirmar que a tetralogia dAs Brumas de Avalon superou as minhas expectativas: apenas que valeu a pena ser lida.
Classificação: 4/5
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Título original: Brave New World
Sinopse:
Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo tornar-se-ia um dos mais extraordinários sucessos literários europeus das décadas seguintes. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Contudo, esse mundo quase irrespirável não deixa de gerar os seus anticorpos.
Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará.
Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência dos homens. É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia de uma falsa noção de progresso.
Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará.
Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência dos homens. É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia de uma falsa noção de progresso.
Opinião:
A par com 1984, Admirável Mundo Novo faz parte do panteão do género distópico. No entanto, ao contrário do que aconteceu com a obra de George Orwell, esta não me conseguiu envolver.
Se por um lado reconheço o mérito pelo retrato dessa sociedade biologicamente manipulada e baseada numa interpretação diferente do conceito de felicidade, avançada tecnologicamente mas psicologicamente afectada, sem valores culturais e morais e cientificamente desinteressada, por outro a execução foi desde o início um forte entrave, quer pela escrita (desconheço se por culpa do próprio autor ou se devido à tradução da minha edição do livro, que não é a mesma da imagem), quer pelo argumento e personagens.
Ficou muito aquém das expectativas, mas não deixa de ser uma obra que cada um deve tentar ler para retirar as suas próprias conclusões.
Classificação: 3/5Se por um lado reconheço o mérito pelo retrato dessa sociedade biologicamente manipulada e baseada numa interpretação diferente do conceito de felicidade, avançada tecnologicamente mas psicologicamente afectada, sem valores culturais e morais e cientificamente desinteressada, por outro a execução foi desde o início um forte entrave, quer pela escrita (desconheço se por culpa do próprio autor ou se devido à tradução da minha edição do livro, que não é a mesma da imagem), quer pelo argumento e personagens.
Ficou muito aquém das expectativas, mas não deixa de ser uma obra que cada um deve tentar ler para retirar as suas próprias conclusões.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Terminou a 41ª Maratona Literária e chegou portanto a altura de fazer o balanço final!
Apesar de, em relação a outros, ter sido inferior, fiquei muito satisfeito com o resultado:
Não só cumpri o meu plano, como ainda iniciei o Admirável Mundo Novo, de Huxley.
No entanto, o meu ritmo de leituras variou muito:
Resta-me agradecer à Cata, Mafi, Filipa e Maria João pela organização da maratona. Outras seguir-se-ão com certeza! :D
Apesar de, em relação a outros, ter sido inferior, fiquei muito satisfeito com o resultado:
1186 páginas lidas!
Não só cumpri o meu plano, como ainda iniciei o Admirável Mundo Novo, de Huxley.
No entanto, o meu ritmo de leituras variou muito:
Resta-me agradecer à Cata, Mafi, Filipa e Maria João pela organização da maratona. Outras seguir-se-ão com certeza! :D
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Título original: Horns
Sinopse:
Ignatius Perrish passou a noite embriagado e a fazer coisas terríveis.
Na manhã seguinte acordou com uma ressaca tremenda, uma dor de cabeça violenta... e um par de cornos a sair-lhe das têmporas. No início Ig pensou que os cornos eram uma alucinação, fruto de uma mente danificada pela fúria e pelo desgosto. Passara um ano inteiro num purgatório solitário e privado depois da morte da sua amada, Merrin Williams, violada e assassinada em circunstâncias inexplicáveis. Um colapso mental teria sido a coisa mais natural do mundo. Mas nada havia de natural nos cornos, que eram bem reais.
Em tempos, o íntegro Ig usufruíra da vida dos bem-aventurados: nascido numa família privilegiada, segundo filho de um músico de renome e o irmão mais novo de uma estrela televisiva em ascensão, Ig tinha estabilidade, dinheiro e um lugar na comunidade. Ele tinha tudo isto e ainda mais: Merrin e um amor assente em fantasias partilhadas, audácia e a improvável magia do Verão.
Mas a morte de Merrin destruiu tudo. O único suspeito do crime, Ig nunca foi acusado ou julgado. Mas também nunca foi ilibado. No tribunal da opinião pública de Gideon, New Hampshire, Ig é e será sempre culpado. Nada que ele possa dizer ou fazer importa. Todos o abandonaram e parece que o próprio Deus também. Todos com excepção do demónio que está dentro de si...
E, agora, Ig está possuído por um poder novo e terrível que condiz com o seu novo look assustador - um talento macabro que tenciona usar para descobrir o monstro que matou Merrin e que destruiu a sua vida. Ser bom e rezar para que tudo corresse bem não o levou a lado nenhum. Chegou a altura de pôr em prática uma pequena vingança... chegou a altura de o Diabo clamar o que lhe é devido...
Na manhã seguinte acordou com uma ressaca tremenda, uma dor de cabeça violenta... e um par de cornos a sair-lhe das têmporas. No início Ig pensou que os cornos eram uma alucinação, fruto de uma mente danificada pela fúria e pelo desgosto. Passara um ano inteiro num purgatório solitário e privado depois da morte da sua amada, Merrin Williams, violada e assassinada em circunstâncias inexplicáveis. Um colapso mental teria sido a coisa mais natural do mundo. Mas nada havia de natural nos cornos, que eram bem reais.
Em tempos, o íntegro Ig usufruíra da vida dos bem-aventurados: nascido numa família privilegiada, segundo filho de um músico de renome e o irmão mais novo de uma estrela televisiva em ascensão, Ig tinha estabilidade, dinheiro e um lugar na comunidade. Ele tinha tudo isto e ainda mais: Merrin e um amor assente em fantasias partilhadas, audácia e a improvável magia do Verão.
Mas a morte de Merrin destruiu tudo. O único suspeito do crime, Ig nunca foi acusado ou julgado. Mas também nunca foi ilibado. No tribunal da opinião pública de Gideon, New Hampshire, Ig é e será sempre culpado. Nada que ele possa dizer ou fazer importa. Todos o abandonaram e parece que o próprio Deus também. Todos com excepção do demónio que está dentro de si...
E, agora, Ig está possuído por um poder novo e terrível que condiz com o seu novo look assustador - um talento macabro que tenciona usar para descobrir o monstro que matou Merrin e que destruiu a sua vida. Ser bom e rezar para que tudo corresse bem não o levou a lado nenhum. Chegou a altura de pôr em prática uma pequena vingança... chegou a altura de o Diabo clamar o que lhe é devido...
Opinião:
Joe Hill, pseudónimo de Joseph Hillstrom King, é filho do aclamado autor Stephen King... e nota-se, bastante até. O estilo de escrita é muito semelhante ao do pai e nota-se, ao longo de toda a narrativa, a sua influência, tais os elementos mais ou menos macabros que vão compondo a história.
Este livro superou de facto as minhas expectativas. Ao contrário do que a sinopse pode levar a pensar, o foco da história não consiste em identificar o verdadeiro culpado da morte de Merrin Williams (a sua identidade, aliás, é revelada ainda antes de chegar à metade do livro) mas sim as circunstâncias em que esta ocorreu e a posterior concretização do desejo de vingança.
As personagens são mais complexas do que aparentam à simples vista, existindo um claro contraste que diferencia o que elas eram e o que actualmente são devido aos acontecimentos. Alguns detalhes, que inicialmente mostram-se como parte da caracterização, não são deixados ao acaso e existe uma personagem em particular que se destaca por estar sujeita, ao longo do livro, aos mais distintos graus de simpatia por parte do leitor, ora ocupando um extremo, ora o contrário.
Por outro lado, nota-se uma evolução do protagonista à medida em que os cornos vão exercendo efeito. Fiquei realmente satisfeito com a forma como o autor lidou com o final, recorrendo a certos componentes que encaixam com o tom do livro.
Em suma, Cornos é um livro que recomendo. Stephen King estará, de certeza, orgulhoso.
Este livro superou de facto as minhas expectativas. Ao contrário do que a sinopse pode levar a pensar, o foco da história não consiste em identificar o verdadeiro culpado da morte de Merrin Williams (a sua identidade, aliás, é revelada ainda antes de chegar à metade do livro) mas sim as circunstâncias em que esta ocorreu e a posterior concretização do desejo de vingança.
As personagens são mais complexas do que aparentam à simples vista, existindo um claro contraste que diferencia o que elas eram e o que actualmente são devido aos acontecimentos. Alguns detalhes, que inicialmente mostram-se como parte da caracterização, não são deixados ao acaso e existe uma personagem em particular que se destaca por estar sujeita, ao longo do livro, aos mais distintos graus de simpatia por parte do leitor, ora ocupando um extremo, ora o contrário.
Por outro lado, nota-se uma evolução do protagonista à medida em que os cornos vão exercendo efeito. Fiquei realmente satisfeito com a forma como o autor lidou com o final, recorrendo a certos componentes que encaixam com o tom do livro.
Em suma, Cornos é um livro que recomendo. Stephen King estará, de certeza, orgulhoso.
Classificação: 5/5
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Estava eu a ver booktags no YouTube e deparei-me com uma que até agora não tinha visto: El Librófono! Esta foi criada em conjunto pelo The Young Poplar e pela Pink Hummingbird e, uma vez que pareceu bastante interessante e que não estava traduzida, decidi partilhá-la convosco! :D
1. Chamada perdida: um livro que não conseguiste acabar de ler.
D. Quixote de la Mancha. Comecei a lê-lo há uns sete anos atrás, mas abandonei-o e nunca mais peguei nele. Talvez se o lesse hoje fosse uma experiência diferente...
2. Chamada a três: a personagem que mais te fez rir, aquela que mais odeias e aquela que adoras.
A personagem que mais me fez rir é capaz de ter sido o Fermín, dA Sombra do Vento. Aquela que mais odeio será provavelmente a Bella, da saga Twilight, pela sua fraca personalidade. Aquela que adoro é o Dumbledore, da saga Harry Potter.
3. Facturas: o preço mais caro que já pagaste por um livro.
Um valor à volta dos 40 euros... Mas não é para um livro normal! Foi para este:
4. Interferências: um livro no qual fizeste uma pausa e ao qual voltaste passado algum tempo.
Os Pilares da Terra, de Ken Follett. Hoje é um dos meus favoritos de sempre!
5. Voice Mail: um livro com frases que estás sempre a dizer.
Aqui não é um livro mas uma saga... Sim, adivinharam: Harry Potter :P
6. Toque de chamada: um livro que gostarias de ler e reler várias vezes.
(Resposta igual à anterior xD)
7. Sem rede: um livro que demoraste muito a conseguir.
Nossa Senhora de Paris, de Victor Hugo. Depois de muitos anos à procura, só no ano passado é que consegui arranjá-lo em português, uma vez que fez parte da nova colecção de clássicos da Civilização.
8. Videochamada: uma personagem que gostavas que existisse.
Albus Dumbledore. Seria deveras interessante ter uma conversa com ele.
9. Smartphone: livro físico ou ebook?
Livro físico! No entanto reconheço vantagens em ambos os formatos e até utilizo os dois.
10. Número não disponível: um livro que estás reticente em ler mas que todos já leram.
A Cidade dos Ossos. Apesar da maioria serem muito favoráveis, já ouvi algumas opiniões más em relação à saga e a própria sinopse não me cativa totalmente, mas este ano irei com certeza experimentar!
Vou passar a tag aos seguintes blogs, mas que isso não seja impedimento para responderem também:
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Título original: Das fünfte Evangelium.
Sinopse:
A jovem e intrépida Anne von Seydlitz fica à beira do desespero quando o marido, um comerciante de arte de Munique, morre num estranho acidente de automóvel. Resta-lhe um rolo de fotografias, que mostra o que pode ter sido o motivo do acidente: um pergaminho com uma antiga inscrição copta.
Anne tenta averiguar o sentido desse texto, mas cedo compreende que ele oculta um segredo perigoso: o primeiro especialista com quem tenta aconselhar-se é assassinado pouco depois do encontro e o segundo, um prestigiado coptólogo, desaparece misteriosamente sem deixar rasto.
Da experiência ficou apenas uma coisa, um nome: «Barrabás.» Ajudada por um velho amigo que inesperadamente se cruza no seu caminho, Anne segue uma pista que a leva a Paris, onde um professor acaba de cometer, sem razão aparente, um atentado com ácido contra um quadro de Leonardo da Vinci e foi, por isso, internado num manicómio. Mesmo assim, o crime veio revelar na pintura um estranho colar que dá um indício desconcertante: a pista de «Barrabás».
Emocionante. A não perder.
Anne tenta averiguar o sentido desse texto, mas cedo compreende que ele oculta um segredo perigoso: o primeiro especialista com quem tenta aconselhar-se é assassinado pouco depois do encontro e o segundo, um prestigiado coptólogo, desaparece misteriosamente sem deixar rasto.
Da experiência ficou apenas uma coisa, um nome: «Barrabás.» Ajudada por um velho amigo que inesperadamente se cruza no seu caminho, Anne segue uma pista que a leva a Paris, onde um professor acaba de cometer, sem razão aparente, um atentado com ácido contra um quadro de Leonardo da Vinci e foi, por isso, internado num manicómio. Mesmo assim, o crime veio revelar na pintura um estranho colar que dá um indício desconcertante: a pista de «Barrabás».
Emocionante. A não perder.
Opinião:
Este livro não vale os 7 euros e meio que paguei por ele, mesmo estando em promoção.
Todas, absolutamente todas, as personagens, são demasiado planas, em particular a protagonista que, gozando desse papel, devia contribuir mais na resolução das pistas. Em momento algum senti qualquer interesse por ela, incluindo nos supostos momentos de aflição.
Por outro lado, o argumento é demasiado linear: não existe uma investigação profunda em relação ao mistério, as pistas são quase que resolvidas à primeira tentativa, sem enganos...
Algo que também considero irreal foi o facto de ninguém reconhecer o nome Barrabás. É-me difícil acreditar que absolutamente ninguém - incluindo jesuítas - tenha pensado sequer em associa-lo ao homem que foi libertado durante o julgamento de Jesus Cristo por Pôncio Pilatos.
Dos piores policiais que li até hoje.
Todas, absolutamente todas, as personagens, são demasiado planas, em particular a protagonista que, gozando desse papel, devia contribuir mais na resolução das pistas. Em momento algum senti qualquer interesse por ela, incluindo nos supostos momentos de aflição.
Por outro lado, o argumento é demasiado linear: não existe uma investigação profunda em relação ao mistério, as pistas são quase que resolvidas à primeira tentativa, sem enganos...
Algo que também considero irreal foi o facto de ninguém reconhecer o nome Barrabás. É-me difícil acreditar que absolutamente ninguém - incluindo jesuítas - tenha pensado sequer em associa-lo ao homem que foi libertado durante o julgamento de Jesus Cristo por Pôncio Pilatos.
Dos piores policiais que li até hoje.
Classificação: 1/5
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Hoje venho responder a esta tag que traz à superfície a nossa perdição: a compra de livros!
Fui taggado pela Cata do blog Páginas Encadernadas (obrigado!), que também a traduziu a partir do original.
1-Onde compras os teus livros?
A maior parte é na Bertrand ou na Fnac, mas qualquer loja física serve :P Quando são livros em inglês que não encontro em nenhum sítio utilizo o Amazon UK.
2-Fazes pré-ordem de livros? Se sim, fazes em lojas ou online?
Só fiz para o último Harry Potter, tanto em inglês como em português, e foi na Bertrand.
3-Em média, quantos livros compras por mês?
Varia muito... Normalmente, se comprar alguns, não passa dos dois ou três... Mas depois existem as ocasiões especiais como no Natal, em que é muito difícil resistir xD
4-Usas a tua biblioteca local?
Não, embora por vezes utilize a biblioteca da minha faculdade.
5-Se sim, quantos livros podes trazer/requisitar de cada vez?
Acho que posso requisitar até 5 livros de cada vez, mas raramente levo mais do que um ou dois.
6-Qual a tua opinião acerca dos livros das bibliotecas?
Desde que estejam em bom estado não vejo nenhum problema, até porque permite que possamos experimentar novos géneros ou autores sem qualquer custo.
7-Como te sentes em relação a lojas de caridade/livros em segunda mão?
Não conheço nenhuma loja de caridade, mas acho o conceito dos livros em segunda mão muito interessante. Já experimentei e na maior parte das vezes correu muito bem. Podemos encontrar livros a preços mais baratos, mas, no caso das compras online, temos que correr o risco de confiar no vendedor (que envie o livro após o pagamento, que venha em bom estado...).
8-Manténs os teus livros lidos e por ler juntos/na mesma estante?
Sim, estão todos juntos, de modo a ficarem organizados na estante desde o momento em que são adquiridos.
9-Planeias ler todos os livros que tens?
Aqueles que comprei sim, até porque neste momento não são assim tantos (são 12).
10-O que fazes com livros que sentes que nunca irás ler/sentes que não irás gostar?
Vão ficando na estante até sentir-me decidido a lê-los :P
11-Alguma vez doaste livros?
Sim, à escola.
12-Alguma vez estiveste num período de abstenção de compra de livros?
Este mês tentei estar num e estava a correr tudo muito bem... até há uns dias. Houve umas promoções que interferiram com os meus planos xD
13-Achas que compras demasiados livros?
Hmm... Talvez? :P
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
A partir de amanhã às 00h e até dia 9 de Fevereiro às 23h59 vou estar a participar na 41ªMaratona Literária, maratona esta que será também a primeira em que participo!
Estou na equipa Verde, da Maria João, e é essa a cor do desafio opcional: ler pelo menos um com a capa dessa cor.
Também vão participar?
Não editado em Portugal.
Sinopse:
Todd Hewitt is the only boy in a town of men.
Ever since the settlers were infected with the Noise germ, Todd can hear everything the men think, and they hear everything he thinks. Todd is just a month away from becoming a man, but in the midst of the cacophony, he knows that the town is hiding something from him -- something so awful Todd is forced to flee with only his dog, whose simple, loyal voice he hears too.
With hostile men from the town in pursuit, the two stumble upon a strange and eerily silent creature: a girl. Who is she? Why wasn't she killed by the germ like all the females on New World?
Propelled by Todd's gritty narration, readers are in for a white-knuckle journey in which a boy on the cusp of manhood must unlearn everything he knows in order to figure out who he truly is.
Ever since the settlers were infected with the Noise germ, Todd can hear everything the men think, and they hear everything he thinks. Todd is just a month away from becoming a man, but in the midst of the cacophony, he knows that the town is hiding something from him -- something so awful Todd is forced to flee with only his dog, whose simple, loyal voice he hears too.
With hostile men from the town in pursuit, the two stumble upon a strange and eerily silent creature: a girl. Who is she? Why wasn't she killed by the germ like all the females on New World?
Propelled by Todd's gritty narration, readers are in for a white-knuckle journey in which a boy on the cusp of manhood must unlearn everything he knows in order to figure out who he truly is.
Opinião:
The Knife of Never Letting Go é o primeiro livro da trilogia Chaos Walking, de Patrick Ness, uma trilogia que tem vindo a estar rodeada de um certo hype entre os booktubers. Ora, a primeira leitura do ano, The Darkest Minds, também estava sujeita aos mesmos termos e foi uma decepção. Foi uma lição reaprendida: moderar as expectativas, não colocar um livro que ainda não li pelas nuvens.
Dito isto, é possível que isso tenha ajudado a que apreciasse mais esta leitura. Este é um livro do qual gostei bastante. É certo que não é para todos os gostos, mas as minhas expectativas foram cumpridas.
À excepção de um ou outro capítulo, a história desenrola-se de forma muito fluída, sem partes morosas, com muita acção e com uma certa aura de mistério em relação ao Noise, a Prentisstown e às próprias personagens.
O facto de estar em inglês não foi, de todo, um contratempo, uma vez que o vocabulário utilizado não é muito complexo, o que vai de encontro à personalidade do próprio protagonista, Todd, que é o narrador da história e que é muito servido pelas impressões. Todavia, estaria a enganar-me a mim próprio se dissesse que os erros ortográficos - intencionais no contexto da narrativa- foram algo que não me causaram qualquer desconforto, principalmente ao início...
Sendo o primeiro dos três livros, ainda não deu para ver o grau de complexidade das personagens, embora a moralidade das acções já tenha sido posta em causa e tenha notado uma evolução em Todd e Viola.
Aviso também desde já que The Knife of Never Letting Go conclui em cliffhanger, pelo que convém que The Ask and the Answer conste nos vossos planos de próximas leituras.
Esta é, indubitavelmente, uma série com um grande potencial. Para já, começou bastante bem.
Dito isto, é possível que isso tenha ajudado a que apreciasse mais esta leitura. Este é um livro do qual gostei bastante. É certo que não é para todos os gostos, mas as minhas expectativas foram cumpridas.
À excepção de um ou outro capítulo, a história desenrola-se de forma muito fluída, sem partes morosas, com muita acção e com uma certa aura de mistério em relação ao Noise, a Prentisstown e às próprias personagens.
O facto de estar em inglês não foi, de todo, um contratempo, uma vez que o vocabulário utilizado não é muito complexo, o que vai de encontro à personalidade do próprio protagonista, Todd, que é o narrador da história e que é muito servido pelas impressões. Todavia, estaria a enganar-me a mim próprio se dissesse que os erros ortográficos - intencionais no contexto da narrativa- foram algo que não me causaram qualquer desconforto, principalmente ao início...
Sendo o primeiro dos três livros, ainda não deu para ver o grau de complexidade das personagens, embora a moralidade das acções já tenha sido posta em causa e tenha notado uma evolução em Todd e Viola.
Aviso também desde já que The Knife of Never Letting Go conclui em cliffhanger, pelo que convém que The Ask and the Answer conste nos vossos planos de próximas leituras.
Esta é, indubitavelmente, uma série com um grande potencial. Para já, começou bastante bem.
Classificação: 4/5
sábado, 25 de janeiro de 2014
Título original: The Invention of Hugo Cabret
Sinopse:
Órfão, guardião dos relógios e ladrão, Hugo vive por entre as paredes de uma movimentada estação de comboios parisiense, onde a sua sobrevivência depende de segredos e do anonimato. Mas quando, repentinamente, o seu mundo se encaixa - tal como as rodas dentadas dos relógios que vigia - com o de uma excêntrica rapariga amante de livros e o de um velho amargo, dono de uma lojinha de brinquedos, a vida secreta de Hugo e o seu segredo mais precioso são colocados em risco. Um desenho misterioso, um bloco que vale ouro, uma chave roubada, um homem mecânico e uma mensagem escondida do falecido pai de Hugo formam a espinha dorsal deste intrincado, terno e arrebatador mistério.
Opinião:
Este é mais um caso em que a leitura do livro surgiu só depois de ver o filme, filme esse que ficou muito aquém das expectativas que tinha criado, dado o visual e o realizador. Esse foi talvez o motivo pelo qual o livro não veio parar às minhas mãos... até há algumas semanas.
Louvada seja a hora em que me aproximei do stand das promoções na Fnac! Junto a elas encontrava-se a caixa de coleccionador a um preço reduzido de 15 euros (relativamente aos 44 euros que custava anteriormente), que incluía o DVD, cinco postais, um marcador e, claro, o livro. Não fui capaz de resistir.
A Invenção de Hugo Cabret é uma verdadeira obra de arte, entrelaçando as palavras com belíssimas imagens desenhadas à mão pelo próprio autor. É quase como se tratasse de um storyboard, tal a forma como o leitor se deixa submergir entre tais gravuras, entre os seus detalhes.
O argumento é bastante simples, mas isso é precisamente o que um trabalho como este exige, algo que é capaz de mexer com a criança que cada um tem no seu interior.
Louvada seja a hora em que me aproximei do stand das promoções na Fnac! Junto a elas encontrava-se a caixa de coleccionador a um preço reduzido de 15 euros (relativamente aos 44 euros que custava anteriormente), que incluía o DVD, cinco postais, um marcador e, claro, o livro. Não fui capaz de resistir.
A Invenção de Hugo Cabret é uma verdadeira obra de arte, entrelaçando as palavras com belíssimas imagens desenhadas à mão pelo próprio autor. É quase como se tratasse de um storyboard, tal a forma como o leitor se deixa submergir entre tais gravuras, entre os seus detalhes.
O argumento é bastante simples, mas isso é precisamente o que um trabalho como este exige, algo que é capaz de mexer com a criança que cada um tem no seu interior.
Classificação: 5/5
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Título original: Life of Pi
Sinopse:
Filho do administrador do jardim zoológico de Pondicherry, na Índia, Pi Patel possui um conhecimento enciclopédico sobre animais e uma visão da vida muito peculiar. Quando Pi tem dezasseis anos, a família emigra para a América do Norte num navio cargueiro juntamente com os habitantes do zoo. Porém, o navio afunda-se e Pi vê-se na imensidão do Pacífico, a bordo de um salva-vidas, acompanhado de uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala.
Já considerado uma das mais extraordinárias criações literárias da última década, A Vida de Pi é um livro mágico, onde o real e absurdo se misturam numa história intemporal.
Já considerado uma das mais extraordinárias criações literárias da última década, A Vida de Pi é um livro mágico, onde o real e absurdo se misturam numa história intemporal.
Opinião:
Pouco depois de ter visto o filme, que, segundo ouvi dizer, fora algo que antes se pensara impossível de realizar, comprei o livro. No entanto, só agora, um ano depois, decidi partir para a sua leitura e, embora já conhecesse a história, considero que foi uma mais valia.
Digo isto porque, além da clara mensagem que pretende transmitir em relação ao papel da religião, fez-me reflectir em alguns aspectos relativos à interacção entre o ser humano e o resto dos animais que tomava como incontornáveis, nomeadamente no que diz respeito aos jardins zoológicos. Por exemplo, será realmente positivo o acto de libertar na natureza um animal que foi criado junto a seres humanos?
Como é óbvio, o livro lida também com o instinto de sobrevivência e até que ponto isso pode chegar a moldar-nos, de uma maneira às vezes um tanto explícita até. Considero também que o único ponto menos bom com o qual me deparei é que, por vezes, a leitura da segunda parte tornou-se algo morosa.
Quanto à religião, embora não me tenha identificado pessoalmente com Pi, consigo verdadeiramente compreender - e aceitar de certa forma - a sua maneira de pensar. A Vida de Pi podia ter sido somente um livro a retratar a relação entre um rapaz e um tigre, mas Yann Martel foi mais além, dotando-o de uma mensagem espiritual à qual, crentes ou não, penso que os leitores não ficarão indiferentes.
Classificação: 4/5Digo isto porque, além da clara mensagem que pretende transmitir em relação ao papel da religião, fez-me reflectir em alguns aspectos relativos à interacção entre o ser humano e o resto dos animais que tomava como incontornáveis, nomeadamente no que diz respeito aos jardins zoológicos. Por exemplo, será realmente positivo o acto de libertar na natureza um animal que foi criado junto a seres humanos?
Como é óbvio, o livro lida também com o instinto de sobrevivência e até que ponto isso pode chegar a moldar-nos, de uma maneira às vezes um tanto explícita até. Considero também que o único ponto menos bom com o qual me deparei é que, por vezes, a leitura da segunda parte tornou-se algo morosa.
Quanto à religião, embora não me tenha identificado pessoalmente com Pi, consigo verdadeiramente compreender - e aceitar de certa forma - a sua maneira de pensar. A Vida de Pi podia ter sido somente um livro a retratar a relação entre um rapaz e um tigre, mas Yann Martel foi mais além, dotando-o de uma mensagem espiritual à qual, crentes ou não, penso que os leitores não ficarão indiferentes.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Título original: Enchantments
Sinopse:
No primeiro dia de 1917, ano de todas as mudanças na Rússia, o corpo de Rasputine é resgatado das águas geladas do Neva, em São Petersburgo. Horas mais tarde, as duas filhas do Monge Louco são levadas para o palácio e acolhidas pela família imperial, pois a czarina espera que Masha, a mais velha, consiga salvar o filho Alyosha, o enfermiço herdeiro do trono. Masha não tem o misticismo magnético do pai, mas descobre o dom encantatório das suas histórias. E é com elas que, sempre entre a vida e a morte, os dois adolescentes conhecerão o amor e um país imenso, a Rússia, que Alyosha nunca chegará a governar.
Inspirando-se na vida aventureira da filha de Rasputine, Xerazade russa que viria a ser domadora de leões na América, Kathryn Harrison retrata uma era em que a História se impacienta e o mundo mudaria, com a Revolução Bolchevique e o fim da lendária dinastia dos Romanov.
Inspirando-se na vida aventureira da filha de Rasputine, Xerazade russa que viria a ser domadora de leões na América, Kathryn Harrison retrata uma era em que a História se impacienta e o mundo mudaria, com a Revolução Bolchevique e o fim da lendária dinastia dos Romanov.
Opinião:
O meu fascínio pela Rússia e, sobretudo, pelos últimos Romanov começou quando ainda era muito novo, na tenra idade dos cinco/seis anos, quando descobri que "Anastasia", o filme da Fox Animation Studios que eu adorava, estava baseado ao de leve em acontecimentos verídicos, acontecimentos esses que, ao contrário do filme, não tiveram um final feliz. Em particular, Grigory Rasputine atraia-me imenso: toda aquela aura mística, da sua capacidade de curar Alexei e do mistério à volta do seu assassínio, já para não falar do seu aspecto que, verdade seja dita, ainda hoje me causa alguns arrepios, com aquela densa barba negra sob esses olhos capazes de penetrar a mente...
Desde então tenho tentado ler tudo o que posso acerca deste tema e, dado que, infelizmente, não existem muitos livros no mercado nacional sobre ele (seja de ficção ou não), este não podia ser diferente.
Dito isto, como posso descrever a minha frustração com esta suposta obra de Encantamentos?
Em primeiro lugar, detestei profundamente, não só o comportamento sexual que a autora atribuiu ao pequeno czarevich, mas que esse fosse um dos temas centrais do livro. Compreendo que, com 14 anos, estivesse na puberdade. Porém, que eu tenha conhecimento, não existem quaisquer registos históricos que indiquem que estivesse tão obcecado em perder a virgindade a ponto de tentar entrar em "jogos manuais" (à falta de melhor termo, desculpem) com Masha, quatro anos mais velha, com 18! A própria química sexual entre estas duas personagens pareceu-me bastante forçada.
Outro aspecto negativo é a ausência de uma organização temporal na narrativa bem definida, o que acabou por dar-me a impressão de que não existe um argumento, com princípio, meio e fim, mas sim um conjunto de relatos apresentados por ordem quase aleatória.
Felizmente nem tudo foi mau (daí a minha pontuação não ser ainda mais baixa): são os excertos que falam sobre a relação entre Nicolau e Alexandra, sobre Rasputine e sobre a vida de Masha fora da Rússia que redimiram o livro de não ir parar projectado ao outro lado da sala.
Classificação: 2/5
sábado, 18 de janeiro de 2014
Vi esta tag no blog Little House of Books e não resisti!
O objectivo é escolher dois livros para cada elemento: um em cuja capa esteja presente o respectivo elemento e outro que contenha a respectiva cor.
No fim, o desafio é encontrar um livro que reúna as quatro cores!
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Título original: Dark Places
Sinopse:
Libby tinha sete anos quando a mãe e as duas irmãs foram assassinadas no «Sacrifício a Satanás de Kinnakee, no Kansas». Enquanto a família jazia agonizante, Libby fugiu da pequena casa da quinta onde viviam e mergulhou na neve gelada de janeiro. Perdeu alguns dedos das mãos e dos pés, mas sobreviveu e ficou célebre por testemunhar contra Ben, o irmão de quinze anos, que acusou de ser o assassino.
Passados vinte e cinco anos, Ben encontra-se na prisão e Libby vive com o pouco dinheiro de um fundo criado por pessoas caridosas que há muito se esqueceram dela.
O Kill Club é uma macabra sociedade secreta obcecada por crimes extraordinários. Quando localizam Libby e lhe tentam sacar os pormenores do crime (provas que esperam vir a libertar Ben), Libby engendra um plano para lucrar com a sua história trágica. Por uma determinada maquia, estabelecerá contacto com os intervenientes daquela noite e contará as suas descobertas ao clube… e talvez venha a admitir que afinal o seu testemunho não era assim tão sólido.
À medida que a busca de Libby a leva de clubes de striptease manhosos no Missouri a vilas turísticas de Oklahoma agora abandonadas, a narrativa vai voltando atrás, à noite de 2 de janeiro de 1985. Os acontecimentos desse dia são recontados através da família de Libby, incluindo Ben, um miúdo solitário cuja raiva contra o pai indolente e pela quinta degradada o leva a uma amizade inquietante com a rapariga acabada de chegar à cidade.
Peça a peça, a verdade inimaginável começa a vir ao de cima, e Libby dá por si no ponto onde começara: a fugir de um assassino.
Passados vinte e cinco anos, Ben encontra-se na prisão e Libby vive com o pouco dinheiro de um fundo criado por pessoas caridosas que há muito se esqueceram dela.
O Kill Club é uma macabra sociedade secreta obcecada por crimes extraordinários. Quando localizam Libby e lhe tentam sacar os pormenores do crime (provas que esperam vir a libertar Ben), Libby engendra um plano para lucrar com a sua história trágica. Por uma determinada maquia, estabelecerá contacto com os intervenientes daquela noite e contará as suas descobertas ao clube… e talvez venha a admitir que afinal o seu testemunho não era assim tão sólido.
À medida que a busca de Libby a leva de clubes de striptease manhosos no Missouri a vilas turísticas de Oklahoma agora abandonadas, a narrativa vai voltando atrás, à noite de 2 de janeiro de 1985. Os acontecimentos desse dia são recontados através da família de Libby, incluindo Ben, um miúdo solitário cuja raiva contra o pai indolente e pela quinta degradada o leva a uma amizade inquietante com a rapariga acabada de chegar à cidade.
Peça a peça, a verdade inimaginável começa a vir ao de cima, e Libby dá por si no ponto onde começara: a fugir de um assassino.
Opinião:
Depois da brilhante surpresa que foi Em Parte Incerta no fim do ano passado (apesar da desapontante conclusão), parti para a leitura deste livro com muita curiosidade e alguma expectativa. Se o anterior teve um dos melhores twists de sempre, neste não se verificou. No entanto, desta vez o desfecho foi muito bem executado.
Entre as diferentes teorias que construí a cerca de metade do livro em relação aos suspeitos e às suas motivações encontravam-se algumas que roçaram o que acabou por acontecer. Mesmo assim, não considero o livro previsível: pelo caminho muitas outras teorias foram desfeitas e retomadas, nunca concentrando os suspeitos numa única pessoa.
Já o estilo da autora mantém-se, com uma escrita nua e crua, sem papas na língua.
O perfil das personagens não corresponde àquele com o qual nos gostaríamos de identificar. Longe de serem perfeitos e num período muito negro das suas vidas, a narrativa vai alternando entre três diferentes pontos de vista, não existindo contudo o problema de alguns se destacarem claramente aos restantes, o que torna a leitura bastante fluída.
Resta-me assim ler Objectos Cortantes, mas já estou convencido de que Gillian Flynn é uma autora cujo trabalho quero seguir de perto.
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